maio 11, 2016 - No Comments!

Gordura uma energia a mais para o seu pedal.

Dando sequência aos artigos sobre energia para pedalada, o papo hoje fica por conta dos lipídios, ou melhor, dizendo no popular nas gorduras.

Pra isso vamos colocar uma dúvida quanto à utilização dos mesmos durante o exercício de pedalada.

Será que a estratégia de utilizar gordura como fonte energética para a pedalada funciona?

O pensamento em utilizar estratégias nutricionais entre ciclistas é muito comum e isso trás benefícios inesperados e muitas das vezes realizados ao acaso, quando observamos estudos com diferentes atletas vemos que os percentuais de energia que eles utilizavam durante 1997 eram de 33 a 57% de carboidrato, 29 a 49% de lipídios e 12 a 26% de proteínas, isso nos mostra que 49% da energia ingerida são provenientes da gordura, porém quando se viu corredores de longa distância, esses dados mudaram e apresentaram de 15 a 20% do total de energia ingerida.
Esses dados têm explicações fisiológicas que partem dos princípios de que esforços físicos entre intensidades moderadas e longa duração utilizam como substrato energético a oxidação de gordura. Pensando em retardar a fadiga e manter o exercício por um período maior, utilizou-se o aumento da disponibilidade de carboidratos aos atletas como forma de manter um substrato armazenado pelo fígado e pelo músculo chamado de glicogênio, isso auxiliou por um determinado período, porém ainda não se estabilizava. Começou então na década de 60 a utilização de ácidos-graxos para que houvesse essa manutenção de energia, e que os atletas pudesse manter o período de esforço maior. E que a utilização do glicogênio também fosse menor devido ao metabolismo de gordura, colaborando assim no desempenho do atleta.
Para pensarmos melhor sobre o que colocamos acima, vamos observar um estudo realizado com ratos que objetivou o efeito da suplementação lipídica em diferentes tipos de óleos, procurando uma melhor manutenção do glicogênio e consecutivamente melhor desempenho. A pesquisa foi realizada em ratos que praticaram exercício de “endurance” (Exercício físico muito próximo do que é realizado pelos ciclistas de MTB).
Para o estudo utilizou-se de alguns ratinhos, e estes foram divididos em três Grupos sendo eles:
Grupo 1: Ratos treinados.
Grupo 2: Ratos suplementados com óleo de fígado de bacalhau.
Grupo 3: Ratos suplementados com óleo de palmiste (óleo de amêndoa de palma)
Essa estratégia de utilizar diferentes óleos era para saber se um óleo saturado ou insaturado, bem como diferentes tipos de óleos tem diferença como efeito poupador do glicogênio.
Os cientistas observaram que:
Primeiro, o glicogênio muscular não teve alteração entre nem um dos grupos.
Segundo, no glicogênio hepático houve diminuição drástica entre os suplementados e aqueles que apenas treinaram. Além disso, mostrou também que eles começaram com níveis de carboidratos menores que os treinados. (isso acontece devido ao objeto de estudo que nesse caso foram ratos!).
O estudo concluiu que dietas com diferentes qualidades de óleos ainda não podem ser muito bem esclarecidas e que se deve fazer novos estudos para entender essas funções. Portanto se o uso da dieta de lipídios não interferir nos carboidratos e na manutenção de glicogênio, o desempenho do atleta será mantido sem problemas. Além é claro, de prolongar os níveis de fadiga causados pela diminuição de glicogênio.

Quanto à aplicação prática é importante salientarmos que:
É muito importante a estratégia de se utilizar “gordura” para disponibilizar energia ao pedalar, entretanto se essa dieta lipídica ultrapassar os níveis desejados para a manutenção dos estoques de glicogênio terão problemas durante o mesmo. Agora, se o pedal ou a competição exige altos níveis de energia e um pequeno período para descanso é interessante utilizar de um percentual maior de “gordura” para ela.

Portanto ao respondermos a pergunta realizada no início do texto, concluímos que sim, a gordura como fonte de energia é fundamental para colaborar com a pedalada!

Referências:

AOKI, M., S; SEELAENDER, M., C., L. Suplementação lipídica para atividades de "endurance". Rev. Paul. Edu. Fís. São Paulo. 1999.

AOKI, M., S; BELMONTE, M., A. Influência da suplementação lipídica sobre a indução do efeito poupador de glicogênio em ratos submetidos ao exercício de "endurance". Rev. Paul. Edu. Fís. São Paulo. 2003.

Published by: Heron Soares Santos in ALIMENTAÇÃO

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